domingo, 2 de fevereiro de 2014



A Verdade Revolucionária: em resposta ao artigo de Rodorval Ramalho, Cinform 20/1/2014
O artigo de Rodorval Ramalho (R.R.) revela um anti-comunismo primário, paranóia que afeta boa parte da burguesia brasileira. Mesmo assim vou responder ponto por ponto aos disparates, mentiras e ignorância que nele expõe, para que a verdade seja dita e este tipo de desinformação seja combatido.
Vou rebater o artigo de R.R. com factos documentados, não com opiniões, clichés, mentiras e invenções decalcadas das campanhas de desinformação capitalista, das quais R.R. é um adepto.
Segue-se a contestação parágrafo a parágrafo.
Logo a primeira frase do primeiro parágrafo é falsa e revela bem o rumo do artigo. De facto quem matou mais comunistas foram os nazis e não os comunistas, como R.R. afirma. Se juntarmos a estes a direita anti-comunista e imperialista que desde sempre se dedicou a essa matança, então a distância em número de mortes é enorme.
O número de comunistas mortos pelos nazis é um cálculo difícil de efetuar, mas me basta socorrer de fontes insuspeitas de simpatias comunistas na internet.
Consultando: http://en.wikipedia.org/wiki/World_War_II_casualties#USSR, verificamos que a população da URSS na IIª Guerra Mundial era de 168.500.000 e que desses morreram entre 13,6% a 14,2%.
Consultando: http://education.yahoo.com/reference/encyclopedia/entry/CommunisUSSR, ficamos a saber que em 1938 os militantes do partido tinham diminuido para 1.920.000. Logo, supondo que os comunistas morreram na mesma proporção que os cidadãos da URSS e tomando as porcentagens acima indicadas, terão morrido entre 261.200 a 272.640 comunistas. Valores por defeito porque se sabe de várias fontes que os primeiros a enfrentar os nazis eram os comunistas.
Sempre que os nazis ocupavam um território, os comunistas eram os primeiros a ser sumariamente executados. Um exemplo disto é a infame “ordem dos comissários” de Hitler, que exigia a execução sumária de todos os comissários políticos capturados ao exército soviético. http://en.wikipedia.org/wiki/Commissar_Order
Na página http://en.wikipedia.org/wiki/Nazi_crimes_against_Soviet_POWs e na página http://www.ushmm.org/wlc/en/article.php?ModuleId=10007178 a estimativa é que os nazis eliminaram deliberadamente 60% dos prisioneiros de guerra soviéticos, o que equivale a 3,3 a 3,5 milhões de pessoas. Este número só se refere a prisioneiros de guerra. O total de mortos (civis e militares) da URSS na segunda guerra mundial foi de 20 milhões.
Só estamos aqui a falar de comunistas da URSS. Falta falar dos outros países, caso em que as estimativas são ainda mais difíceis de fazer. Falemos do caso alemão, que é sintomático porque foram os primeiros a sofrer debaixo da bota nazi. Os comunistas alemães foram os primeiros a ser enviados para os campos de concentração nazi. http://en.wikipedia.org/wiki/Holocaust_victims
Na página: http://de.wikipedia.org/wiki/Kommunistische_Partei_Deutschlands, e do site http://www.history.ucsb.edu/faculty/marcuse/niem.htm, ficamos a saber que cerca de 100.000 comunistas foram internados em campos de concentração nazis para morrer. E este número deve pecar por defeito… Vem-nos à mente a célebre declaração do Pastor Martin Niemoller, sobre o holocausto nazi: “Primeiro eles vieram buscar os comunistas…” http://isurvived.org/home.html#Prologue
De facto não existem estatísticas completas do número de comunistas, antifascistas e partisans mortos pelos nazis, como se pode ler no site: http://www.historylearningsite.co.uk/opposition_nazi_germany.htm
Os números que se apresentam são sempre por defeito. De acordo com estatísticas nazis, 20.000 a 32.000 dos sentenciados à morte eram comunistas alemães. Pode-se ler também em: http://education.cambridge.org/media/653316/opposition_and_resistance_in_nazi_germany.pdf que em 1933-1939, 150.000 comunistas alemães foram detidos sendo 30.000 sumariamente executados. Os outros foram deixados para morrer nos campos de concentração, em que se morria a morte lenta.
E só estamos a falar dos nazis alemães, não estamos a falar dos fascistas aqui do Brasil do golpe de 64. No período fascista de 1964 a 1985, os prisioneiros políticos sofriam torturas atrozes, p.ex.: mulheres a quem eram introduzidos insetos na vagina, que eram deixadas nuas e sem tomar banho por semanas, homens que eram violentados, com  introdução de objetos em seu ânus e estuprados pelos mesmos torturadores que usavam termos homofóbicos contra comunistas.
Este tipo de barbaridades é comum a todos os regimes de direita, fascistas e imperialistas, como atesta o recente caso da prisão de Abu Ghraib no Iraque em que soldados americanos cometeram torturas e sevícias que fariam empalidecer um inquisidor.
Como o disse o Che, é a bestialidade do imperialismo, que bestializa os homens e os torna em feras sedentas de sangue. O ódio anti-revolucionário e anti-comunista presente no artigo de R.R. é a semente e o reflexo dessa bestialidade.
Nem em todas revoluções existem mortes ou execuções. Um exemplo é a revolução de Abril em Portugal, outro a que se estava a processar no Chile, outros os processos na Venezuela, Bolívia e Equador. Claro que numa situação revolucionária, reacionários (como R.R.), opõem uma resistência que descamba na violência. Isto porque nunca os que defendem o status quo estão dispostos a abandonar os seus privilégios pacificamente.
A revolução francesa não é mitologia, é bem real e bem revolucionária. Sem ela hoje não existiria o sistema político de democracia burguesa que governa na maior parte dos países, incluindo o Brasil. Não existiriam também muitos outros conceitos, como direita e esquerda, como estado laico, etc., etc… A filosofia e a ciência estariam muito atrasadas, assim como a justiça, e outras áreas do saber humano. Não existiria Republica Francesa e provavelmente não existiria o Brasil, como o conhecemos hoje.
Os revolucionários franceses não eliminaram nobres e padres por qualquer desejo sanguinário, mas apenas quando estes se opunham de armas na mão ou por sabotagem económica à revolução. De facto existiam muitos nobres e padres que estavam do lado da revolução. Alguns revolucionários franceses famosos eram nobres e padres, facto que qualquer um poderá comprovar com uma consulta da internet. Aqui vai uma pequena lista:
Barère, Bertrand (Seigneur de Vieuzac) – membro do comité de segurança pública; Barras, Paul François, (Vicomte de Barras) – militar revolucionário; Cloots, Jean-Baptiste (Baron de Cloots) - o "Orador do Género Humano" – Defendia a cidadania universal e o fim da escravatura e das descriminações; Couthon, Georges-Auguste (pequena nobresa) - amigo e colaborador de Robespierre; Joseph Fouché (Padre); Grégoire (Abbé), Henri Baptiste - não traiu Robespierre; Lepeletier, Louis-Michel (Marquis de Saint-Fargeau) - Assassinado por reaccionários, mártir da revolução, propôs nova política educativa; Mirabeau, Honoré Riqueti de (Marquis de Mirabeau) - célebre revolucionário; Roux, Jacques - Padre revolucionário que defendeu o 4º Estado (pobres e proletariado); Siéyès, Emmanuel Joseph – Abade - Autor de célebres textos.
Foi precisamente num golpe contra-revolucionário, um golpe reacionário da direita, que executaram Robespierre. Esse golpe ficou conhecido como a reação do Termidor e deu origem ao período de Terror Branco de matanças maciças de jacobinos e outros revolucionários. Mas - claro! - o Terror Branco nunca preocupa a reação que domina os média.
Na revolução Russa a coisa não piorou coisa nenhuma. Na revolução socialista de Outubro pouquíssimas pessoas morreram. O grande número de mortes ocorre depois, na guerra civil causada pelo exércitos reacionários brancos e os seus 14 aliados das nações imperialistas que invadiram a Rússia revolucionária.
Os Marinheiros de Kronstadt foram dizimados porque, manipulados por anarquistas, se revoltaram contra o poder dos sovietes, o poder do povo trabalhador, e queriam dar um golpe nas costas dos seus camaradas que combatiam os imperialistas. Essa é a razão da supressão dessa rebelião aziaga.
Quando R.R. fala de processos, não pode falar de assassinatos. Quando uma pessoa é processada por um sistema judicial é condenada, à morte se for o caso. O poder revolucionário estava sob constantemente ameaça e não podia tolerar suspeitas de sabotagens e traições.
Nos processos de Moscovo, independentemente de se concordar ou não com o veredicto, foram condenadas à morte 51 pessoas, não os milhões que a direita fascista matou. Numa revolução, tal como numa guerra, é impossível garantir que não vão ocorrer vitimas inocentes. Uma revolução com tal "garantia" não existe. Contudo todos os grandes revolucionários como Lenin, Che Guevara ou Ho Chi Mihn se esforçaram para que tal não acontecesse. Pelas suas superiores virtudes humanas ainda hoje são venerados.
Os campos de concentração não foram invenção dos comunistas! Este é um dos maiores disparates que R.R. diz no artigo. Os campos de concentração foram invenção dos imperialistas britânicos na África do Sul durante a guerra dos Boers, como se pode verificar na página: http://en.wikipedia.org/wiki/Second_Boer_War#Concentration_camps_.281900.E2.80.931902.29
Os chamados Gulags, é outro erro de R.R. É GULAG, não gulags no plural. Gulag significa sistema de administração dos campos, como no Brasil existe um sistema penitenciário e não sistemas penitenciários. Mais uma coisa, os campos do gulag eram campos de trabalho forçado, como existem em vários países do mundo (incluindo os EUA), não campos de concentração.
Outro erro típico é o de que morreram milhões no gulag; de facto segundo estudos históricos sérios (Getty, Rittersporn & Zemskov, 1993) o número de prisioneiros que morreram no período de 1937-1938 foi de 160.084, sendo muito inferior nos restantes períodos do seu funcionamento. Entre 1934 a 1953 morreram 1.053.829, que corresponde a 52.692 por ano, valor inferior à da mortalidade anual no Brasil que é de cerca de 175.200. Dos prisioneiros do gulag em média apenas 20% eram prisioneiros condenados por atividades contra-revolucionárias, sendo os restantes criminosos de delito comum, como estupradores, mafiosos, corruptos, ladrões e bandidos...
O número máximo de prisioneiros no Gulag e colónias penais foi de cerca de 2 milhões, logo a seguir à IIª Guerra Mundial (explicável pelo grande número de prisioneiros alemães); os EUA em 2007 tinham 7 milhões de prisioneiros no seu sistema penal em que prisioneiros são mortos à facada e estuprados por outros prisioneiros.
Insultar o pai da Republica Popular da China parece-me ignóbil, principalmente porque este país mantém relações amigáveis com o Brasil. Será que R.R. gostaria que um Chinês dissesse que Getúlio Vargas era um psicopata? Sem querer comparar Mao Tsé Tung a Getúlio Vargas...
A mulher de Mao foi a responsável do chamado bando dos quatro que cometeu os excessos que ocorreram na revolução cultural e foi por isso condenada, e isso só atesta da probidade da justiça revolucionária, ou ética revolucionária. Isso está explícito em: http://en.wikipedia.org/wiki/Gang_of_Four
Depois fala do Vietnam, não conheço quaisquer casos de execuções no Vietnam. Do Camboja, suponho que R.R. esteja a falar dos Khmer vermelhos, de facto fantoches do imperialismo financiados por Americanos e Ingleses e aos quais Margaret Thatcher e Ronald Reagan, figuras de proa do imperialismo nos ‘80, deram todo o seu apoio… A URSS nunca apoiou os khmer… E fique R.R. sabendo que os khmer vermelhos nunca se intitularam comunistas, pois de facto eles não o eram, pois cultivavam uma ideologia completamente díspar do comunismo, como exemplifica o seu anti-industrialismo. Não passaram, como já disse, de ferramentas do imperialismo e foram derrotados precisamente pelos comunistas vietnamitas que puseram fim ao seu reinado de terror.
Claro que a R.R. não lhe ocorre falar das matanças perpretadas pelos reacionários da Indonésia que mataram a sangue frio e com extrema violência entre 500.000 a 3 milhões de comunistas e simpatizantes… http://en.wikipedia.org/wiki/Indonesian_killings_of_1965%E2%80%9366
Fala da Polónia…? Diga-me, que revolução ocorreu na Polónia? Deve ser algo que só R.R. sabe, pois eu não conheço e conheço bastante acerca de história de revoluções. O mais provável é ser alguma que R.R. imaginou, a sua fantasia anti-comunista não perdoa… Checoslováquia? Idem aspas de Polónia…
“A lista de comunistas eliminados por camaradas Cubanos é longa”?? Dê-me uma referência séria sobre o assunto. Que eu saiba não houve nenhum comunista executado pelos comunistas Cubanos… Insultar o herói da revolução Cubana, o Comandante Fidel Castro, só mostra a falta de escrúpulos do artigo de R.R. R.R. deveria ter mais respeito por quem já fez muito mais pela humanidade do que ele algum dia fará.
“Não há livro de história…” pois não, na biblioteca de R.R. não há, visto que ele prefere os falsificadores da história e não os que escrevem história baseada em factos reais.
Insultar o revolucionário Che Guevara, homem de incrível coragem e virtudes humanas que ainda hoje inspira muita gente, como R.R. faz é um ato de cobardia e imundice espiritual e intelectual. Che foi morto na Bolívia por oficiais do exército boliviano a mando da CIA norte-americana, isso está documentado à exaustão pelos próprios executores, mas R.R. prefere os insultos baratos à verdade histórica.
Márcio Leite Toledo, Carlos Alberto Maciel Cardoso e Geraldo Ferreira Damasceno eram guerrilheiros que foram acusados de traição, julgados culpados e executados. Qualquer guerrilha que não execute os seus traidores está condenada à morte. Quando alguém vai para a guerrilha já sabe, ou deve saber, que vai para uma guerra sem misericórdia e que portanto deve lealdade total ao comando guerrilheiro. Só não entendem isto burguesinhos reacionários acomodados.
Dizer que Luís Carlos Prestes mandou estrangular Elza Fernandes, quando ele estava em clandestinidade incomunicável, sem apresentar quaisquer provas é mais uma vez uma tentativa de criar uma história que convém à mentalidade de R.R. e não baseada em factos. É pura invenção, como diz na página da wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Elza_Fernandes, nenhum desses dados tem veracidade confirmada.
Insultar Jorge Amado, o maior homem de letras brasileiro dos tempos modernos é, para dizer o mínimo, um tiro no pé da cultura brasileira.
É assim que funciona o artigo de R.R., a falsificação e a ignorância multiplicam-se a cada parágrafo.
Uma revolução proletária continuará a usar todas as armas ao seu dispor para derrubar o sistema capitalista em que vivemos. Sejam armas de letras ou de balas.
Foram precisamente as revoluções, que fizeram avançar as sociedades e a consciência humana, liberando a humanidade da escravatura e exploração. Os grandes revolucionários têm a ética revolucionária de manter a repressão dos contra-revolucionários no mais baixo nível possível. Mas, como dizia Mao Tsé Tung, “A revolução não é um jantar dançante, ou escrever um ensaio, ou pintar um quadro, ou fazer bordados, não pode ser tão refinada, tão agradável e gentil, tão temperada, cortês, comedida e magnânima. Uma revolução é uma insurreição, é um ato de violência pelo qual uma classe derruba outra”.
Quanto ao falso humanismo de R.R., é bem a típica chapa da hipocrisia burguesa, esse seu humanismo que condena milhões à exploração, à opressão e à morte. Quer saber quem mata mais no mundo? Veja todas as guerras imperialistas e os milhões de mortos que elas provocaram, veja a guerra do Iraque, veja toda a matança causada pelos EUA, veja toda a miséria e a fome que os povos do terceiro mundo têm que sofrer para sustentar o nível de vida dos mais ricos nos países desenvolvidos….
Essa humanidade a R.R. não lhe diz nada. Essa humanidade constituída por milhões de homens, mulheres e crianças que levam uma vida miserável de exploração até à morte, é lhe indiferente.
São precisamente os capitalistas que consideram os seres humanos como apenas um meio para fazer lucro. Qualquer capitalista é uma máquina de explorar seres humanos até às últimas consequências e R.R. defende-os.
O humanismo de R.R. é uma hipocrisia e o seu artigo uma diarreia mental de disparates e ignorância.
R.R. devia pelo menos procurar estudar história da próxima vez que quiser escrever sobre o assunto.

Carlos Marques